Entendo perfeitamente as suas razões.
A postura niilista dos últimos tempos não rima com uma geração que sempre teve fôlego pra lutar.
O que não deixa der ser algo notável: por que vemos uma geração tão descrente no futuro?
O que teria levado a esse estado de catatonia, essa energia "numb"?
Acho que, em si, este é um fenômeno que merece atenção e crédito.
A arte sempre viveu do conflito, sem ele não se produz a matéria artística - estaríamos condenados à mera abstração decorartiva.
Mas, se antes estes conflitos buscavam uma discussão que levasse a uma resposta, por que estamos tão descrentes?
Há uma infinidade de razões pra isso.
Quando Nietzche dizia que "Deus está morto", presumia a anterior existência dele.
Hoje há uma corrente atéia cada vez maior (e crescente, eu incluso),
contra a esmagadora maioria que a abraça a idéia Divina pelos telefones dos bispos e igrejas que proliferam como virus.
Se Deus está morto, o Teatro talvez não esteja lá muito bem de saúde.
A Arte, como um todo.
Vivemos um começo de século, e a se confirmar a teoria dos Ciclos Históricos,
só emergiremos para uma nova proposta artística na próxima década.
Estamos cercados pelos meios, não pelos fins.
Internet, telefones, SMS, Facebook, Blogs, Sites, Orkut, Sexo Virtual.
Mundo virtual.
Dialogar com as pessoas no presente tem sido nossa tarefa mais inglória.
Tirá-las do conforto do lar, da pipoca e do produto facilmente digerível é a nossa missão - não artística, mas de vida.
Se quisermos repensar o futuro, precisamos plantá-lo com os instrumentos que temos à mão.
Por enquanto, contamos com a descrença - o que é um paradoxo,
num mundo onde as novidades tecnológicas deveriam apontar para o êxito e a felicidade.
Há algo de terrivelmente errado no ar.
Não temos o distanciamento histórico para distinguir todos os aspectos,
mas se não fizermos apostas, o que esperar?
Há o niilismo, claro, mas sem entendermos suas razões não chegaremos a uma causa.
Um mundo em parafuso, é esta a imagem mais forte que tenho.
Até que ponto suportaremos os açoites do Novo Mundo?
Não seria a postura niilista uma reação (saudável ou não) ao descontrole dos meios?
Não seria esta uma reação ao imobilismo reconfortante das modorrentas telenovelas?
À apatia desoladora das relações virtuais?