O Fernando Meirelles afirmou, em entrevista à Folha, que é muito difícil conseguir atores pra minissérie "Som e Fúria".
Ou estão escalados pra novelas na própria Globo, ou estão em outros canais.
Não é bem assim, Fernando.
Pra conseguir uma cota de "famosos", porque é a Globo que exige, ele realmente teve que penar.
Então, esse é um problema criado pela Globo.
Quanto aos outros canais, o Marcos Cesana e eu, por exemplo, não pudemos fazer a minissérie porque estamos em canais a cabo (o Cesana faz 9MM São Paulo, na Fox, e eu faço Mothern, na GNT).
Mesmo sendo de um canal Globosat, eu não posso fazer Globo.
De novo, problema criado pela própria Globo.
Quanto aos outros canais abertos, a Globo exige um período que eles chamam de "descanso de imagem", e o sujeito tem que estar fora das telas por pelo menos seis meses.
Ou seja, pra trabalhar pra eles em um papelzinho qualquer, o ator precisa ficar pelo menos seis meses na geladeira.
Novamente, problema criado pela Globo.
O número de excelentes atores que eu conheço, e que adorariam trabalhar em uma minissérie como esta, é enorme.
Mas talvez eles não possam aparecer na tela da Globo, seja porque fogem dos padrões, seja porque são bons atores demais.
Exagero?
O Jaime Monjardim não gosta de atores bons demais.
O Jaime Monjardim, diretor de obras-primas memoráveis como o incrível "OLGA" (nossa, de lembrar o filme já dá um ruim...), gosta de atores que não façam expressão com o rosto, que não enruguem, que não tenham marcas de expressão.
Enfim, um diretor que aprecia bastante o botox.
Mas isso é um problema da Globo.
Falando assim, parece ranço da Globo, e não é.
A Globo não é só ruim, tem muita coisa boa também.
Tem gente bacana como o Fernando Meirelles terceirizando a programação.
Quanto mais programas terceirizados, melhor será a qualidade.
Basta ver as novelas.
O formato faliu, e as tramas são tão redundantes que o que define a qualidade da novela é a fotografia, porque o resto é tudo igual.
Inclusive na Record e no SBT.
Não, Fernando.
Tá assim de ator bom desempregado.
O que falta é a motivação artística dos que contratam.
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O chato de se ter três canais iguais é isso.
Eles repetem as mesmas fórmulas com os mesmos erros.
Pior no caso do SBT, com um maluco que tira programas do ar conforme o vento sopra Norte-Noroeste.
E ainda tem gente que acha que a TV brasileira é boa.
Depois de muito tempo, neste fim de semana voltei ao teatro, como espectador.
Estou tirando o atraso, coisa que vai se seguir nesta e na próxima semana.
Na sexta, fui ver Toc-Toc, comédia dirigida pelo Alê Reinecke, com vários amigos.
O texto não exatamente uma maravilha, mas o elenco - em especial a Flávia Garrafa, dão um show.
A platéia vai ao delírio.
No sábado, fui ver "O Retorno ao Deserto", de Bernard-Marie Koltès, dirigido por Catherine Marnas.
Com altos e baixos no elenco, a encenação primorosa de Catherine privilegiava o trabalho dos atores.
Trabalhando com a figura do duplo, redimensionou a obra de Koltès em duas línguas.
Seja como forma ou como artifício, a metodologia se mostrou brilhante.
E Gustavo Trestini, grande ator que é, engolia o mundo em cena.
Finalmente, no domingo, vi o Hamlet de Wagner Moura, dirigido pelo Aderbal Freire Filho.
E estou de queixo caído até agora.
O Moura arrasa, faz um Hamlet moderno, o Hamlet desta geração, num espetáculo que faz (ainda bem) a gente esquecer as últimas montagens modorrentas, incluindo aquela chatice lenta do Zé Celso.
(sei que muita gente vai me encher o saco por conta do comentário que fiz ao Zé Celso, mas por mais que eu saiba que ele é um artista importante e necessário e etc., ainda acho um megaporre o teatro que ele faz)
Wagner Moura faz um Hamlet elétrico, desesperado, urgente, moderno, que dialoga com todas as idiossincrasias do Homem contemporâneo.
Um elenco de primeira, em especial a antológica participação de Tonico Pereira como rei Cláudio, dão sustentação ao talento inegável de Moura, este sem dúvida o maior ator da minha geração.
Não gostei do uso clownesco da figura de Polônio, mas atribuo isso às liberdades poéticas carioquescas.
A encenação de Aderbal também privilegia o ator, e faz um uso absolutamente inteligente de uma câmera no palco.
Ouso dizer que é o melhor espetáculo do ano.
Corra pra ver, porque acaba em setembro.
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P.S.: eu chorei na cena entre Hamlet e Gertrudes (Carla Ribas). Quem diria...
Uma puta equipe bacana, comandada pelo Marcelo Tas, com o Oscar Filho detonando, e o Rafinha Bastos impagável.
Aliás, nas últimas semanas as coisas mais involuntariamente divertidas são as reportagens do Rafa em Brasília, em especial quando ele persegue o escroto do José Genoíno.