Otavio

O Paulo

Eu não gosto de velórios.

Nunca gostei.

Prefiro chorar sozinho.

A solidão é um fator essencial na tristeza.

Mas tristeza de quê, se a gente sabe que morre, se a gente sabe que na maioria das vezes a morte interrompe a dor?

A minha tristeza vem de um vazio, do horror de acordar no dia seguinte com a certeza de não encontrar mais aquele ser, humano.

É um oco incômodo, são os órgãos de batendo dentro do corpo, é muito ar onde antes havia carne.

Muito ar.

E o que a gente faz com esse ar?

Pra onde a gente sopra quando sabe que esse ar vai continuar existindo como um vácuo, que aos poucos diminui até virar uma saudade acompanhada de sorriso?

Cada cultura tem seu ritual para a morte.

A minha cultura é a do palco, por excelência.

A cultura do Paulo também, por excelência.

Dia 12 de outubro estranho, esse.

Dia de Nossa Senhora, Dia das Crianças, Dia de Satyrianas, dia de homenagem ao Paulo nas Satyrianas, dia de praia de feriado.

E aí a gente descobre como viver é sempre complicado, e sempre bonito.

Dia 12 de outubro foi longo, muitas coisas acontecendo na praça Roosevelt, muitas pessoas dependiam de mim, que por um instante pensei querer desistir, pra chorar, pra ficar sozinho num canto lendo o ar escuro.

Impossível não pensar no Paulo, o tempo todo.

Quando a tela do UOL se atualizou e veio a foto, eu gelei.

Nesse momento, eu ouvia “Âmbar”, com a Maria Bethânia, poderosa como poucas músicas que ouvi.

As lágrimas correm só com a lembrança da música.

Tá tudo aceso em mim

tá tudo assim tão claro

tá tudo brilhando em mim

tudo ligado

como se eu fosse um morro iluminado

por um âmbar elétrico

que vazasse nos prédios

e banhasse a Lagoa até São Conrado

e ganhasse as Canoas aqui pro outro lado

Tudo plugado

tudo me ardendo

Tá tudo assim queimando em mim

como salva de fogos

desde que sim, eu vim

morar nos seus olhos.

Ontem parei na frente da Assembléia Legislativa, e não consegui sair do carro.

O Paulo não era Autran pra mim, era Paulo.

 

 

O Paulo.

Um dos grandes privilégios da minha vida foi o de poder ligar pra casa dele pra falar um “oi”, e ele atender.

“Oi, meu nego.”

Oi, Paulo.

E de repente, eu ali, parado dentro do carro, olhando a Assembléia Legislativa, paralisado.

Alguém que eu não lembro passou por mim, parou, fez um sinal de te vejo lá dentro.

Não respondi.

Não era pra reverenciar o mito, era chorar um amigo.

Não consegui sair do carro.

Dei a partida, voltei à praça Roosevelt, com pessoas em ebulição.

E ele estava lá.

Em todos os lugares, em todos os cartazes, nas caras das pessoas, nas conversas de roda, nos goles de cerveja, em aplausos antes da apresentação de cada espetáculo.

As pessoas se perguntavam, o tempo todo, qual a melhor homenagem.

E que melhor homenagem do que essa coletiva, das pessoas se perguntarem qual a melhor homenagem, dentro de um evento que é teatro na sua essência?

A melhor homenagem era aquilo: a praça lotada, os teatros lotados.

Como as platéias das peças dele, e todos ali falando dele, da performance dele.

O protagonista, como sempre, era o Paulo.

Fiz três espetáculos ontem, nas Satyrianas.

Era a única coisa que eu podia fazer.

Recebi mensagens no celular dos amigos que sabem do meu amor por ele.

Como um viúvo, lia cada um com um misto de carinho e enfado.

Carinho pelo amor que os amigos têm um pelo outro na dor.

Enfado porque a dor cansa.

Tudo ligado, tudo me ardendo.

Fui embora da praça às quinze pras seis da manhã, quando terminou “Uma Pilha de Pratos na Cozinha”, platéia lotada, dia claro.

Passo na frente da Assembléia de novo, e de novo não entro.

Não vou dizer adeus.

Não quero.

Tá tudo assim queimando em mim

como salva de fogos

desde que sim, eu vim, morar nos seus olhos.



Escrito por impulso incontrolável às 11h30
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Sobre Paulo Autran

 

Muita gente sabe do meu carinho pelo Paulo.

Trabalhei com ele, em 2003, em "Vestir o Pai", peça do Mário Viana, que ele dirigiu.

Chorei o dia inteiro.

E continuo chorando.

Acabei de fazer "Uma Pilha de Pratos na Cozinha", nas Satyrianas.

São 06h05 da manhã de sábado.

E as lágrimas correm.

Eu  conheci bem o Paulo, e posso dizer, com conhecimento de causa: um dos caras mais generosos que já convivi.

Eu tô muito, mas muito triste.

Muito.

Foda-se a educação, tô triste!

 



Escrito por impulso incontrolável às 05h07
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Paulo Autran

 

O Protagonista

 



Escrito por impulso incontrolável às 15h52
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Meu nome é Trabalho!

 

Tô bem cansado.

Mas feliz.

No último fim de semana, estreamos o "Últimas Notícias de Uma História Só", que teve uma recepção muito bonita.

Nesta semana, estream e reestream trabalhos.

Depois da Chuva - sexta 12 de outubro, 22h00

Sexta, 12 de outubro, 01h00 da manhã.

Sexta e sábado, 12/13 e 13/14 de outubro, 0h00

Apresentação única, madrugada de sexta pra sábado, 03h00.

Além dessas, eu dirijo outra peça,

Não é pra estar cansado e feliz?

 



Escrito por impulso incontrolável às 20h33
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Emmy

 

Então ontem saiu a nominação ao Emmy Internacional.

O Mothern está entre os quatro finalistas.

O que isso quer dizer?

No fundo, nada.

O programa é bacana, mas deve continuar restrito aos que tem acesso à TV paga.

Se ganhar o prêmio, a produtora fica feliz, a GNT fica feliz, os elenco fica contente.

E nada mais que isso.

Big deal...

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 09h05
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Pra mim hoje é segunda

 

E como toda segunda, humor.

"Você sempre foi um idiota: Chita é macho."

 



Escrito por impulso incontrolável às 09h00
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 36 a 45 anos, English, French


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