Otavio

A Turma do Deixa Disso

 

A política nacional ainda me causa horror.

 

O deputado Edmar Moreira, aquele do castelo, foi ABSOLVIDO pelo Conselho de Ética da Câmara.

O presidente do Senado, José Sarney, envolvido até o pescoço em irregularidades na administração do Senado, sente-se pressionado e AMEAÇA o governo.

O presidente Lula, diante de pressão de Sarney, pressiona o PT a apoiá-lo INCONDICIONALMENTE.

O senador Aloisio Mercadante articula para que o DEM volte a apoiar Sarney.

Lula articula pra que Ciro Gomes seja candidato da coligação ao governo de São Paulo.

O PT paulista ainda trabalha com a candidatura de Antonio Palocci.

 

Se fossem lidas há 15 anos, estas notícias soariam absurdas.

Um deputado, dono de castelo?

Sarney de volta?

Lula apoiando (e dependendo) de Sarney?

Aloiso Mercadante articulando com DEM pró-Sarney?

Ciro Gomes governando São Paulo?

Mas o negócio dele não é Ceará e Patrícia Pillar?

Antonio Pallocci não é aquele ex-ministro que saiu pela porta dos fundos por não conseguir provar inocência em escândalo político?

Lembra da quebra de sigilo do caseiro?

 

Enquanto isso, a Cantora Careca continua subindo nas pesquisas...

 

Acreditar em quem?

Votar pra quê?

 

 

 

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 09h57
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O que são 3 anos?

 

Alguns números afirmam que três é um número mágico.

Um número sagrado.

O Mário Viana foi o primeiro a me alertar sobre isso.

Três anos é bastante vivência.

Basta olhar um recém-nascido e uma criança de três anos.

É o final de mandato de uma legislatura.

É o ano mais difícil no primário.

É também o mais difícil do ginasial.

Três são os pontos mínimos para algo se sustentar em pé.

Três foi o tri de 70.

Três é um tesão.

Hoje completo três anos de casado.

Os três primeiros anos daqueles que (espero) serão os melhores das nossas vidas.

 


 

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 10h25
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A Morte e as mortes

 

Não há notícia de morte que não seja surpreendente.

Mesmo aquelas anunciadas, por doença ou desistência.

Há a revolta da morte quando a pessoa é jovem.

O alívio quando é doente.

Mas nada supre a falta.

Nem aplaca o espanto, quando é uma pessoa que a gente ama e admira.

 

+++

 

Hoje foi o dia em que Pina Bausch subiu pro andar de cima.

E no meio de tantas mortes de famosos, essa é a notícia que me abateu.

Estou muito triste, desolado.

Quem viu seus trabalhos sabe do que estou falando.

Sua capacidade de criar movimentos, emoções, tudo através da dança.

São imagens que não saem da retina, que são referências para toda uma vida.

 

 

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 12h07
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O mundo caiu

 

Às duas da tarde, descobri que Farrah Fawcett tinha morrido.

Às seis da tarde, descobri que a final da Copa das Confederações seria entre Brasil e EUA.

Às seis e meia, descobri que o Gugu Liberato foi pra Record.

Às sete da noite, descobri que Michael Jackson estava morto.

O mundo está mudando, não? 

 

+++

 

Ainda bem que não sou jornalista ou editor. 

Fiquei pensando no monte de reportagens e video-clipes sobre Michael Jackson no noticiário.

E naquele monte de gente xingando Michael enquanto editam imagens pra alimentar os telejornais.

 

+++

 

Fiquei chateado com a morte de Michael Jackson.

Off The Wall e Thriller são dois álbuns que adoro.

 

+++

 

Pobre Farrah Fawcett.

Em pleno dia de ser homenageada, vem o Jacko e pimba.

 

____

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 12h31
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O Flyer do Dores

 

Ficou pronta a arte do espetáculo.

E a peça é uma delícia!

 

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 12h19
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Os donos da verdade

 

Fica difícil não se incomodar com as notícias que vem do Irã.

As imagens são fortes, violentas, repugnantes.

Ao mesmo tempo, não consigo me posicionar claramente sobre o assunto.

Diante de tantas notícias manipuladas, acreditar em quem?

Nos jornalistas americanos?

Nos líderes religiosos do Irã?

Nos manifestantes de classe média?

No povo favorável ao atual regime?

Fica claro que as pessoas envolvidas nas manifestações são mais esclarecidas, e segundo consta, fazem parte de uma classe média iraniana.

A maioria da população, pobre e obediente às orientações religiosas, é (a princípio) a favor do atual regime.

Qualquer pessoa minimamente letrada sabe que os desígnios religiosos são tendenciosos, mentirosos, hipócritas e vis.

Sabe que gente ignorante prefere passar a vida servindo a uma Autoridade Imaginária que lhes prometa uma vida redentória após a morte.

O uso dessa imagem sobrenatural da existência de um deus (ou alá, ou qualquer nome que se queira dar a esse Bicho-Papão)

sempre foi a maior arma de manipulação das massas ignorantes.

 

Mas será que os caras são os demônios que a imprensa americana quer pintar?

E se, de fato, não houve fraude?

 

Vejam a Venezuela, por exemplo.

A figura nefasta e bizarra de Hugo Chavez causa repugnância na classe média brasileira.

(eu, incluso)

A classe média venezuelana sofre horrores com os desmandos deste tirano da esquerda, mas as classes mais pobres

continuam a apoiá-lo enfaticamente.

Ainda que sob forte suspeita de fraude e coação física e moral, suas eleições foram ganhas no voto.

Se democracia é a opinião soberana da maioria, como contestar a opinião dos que escolhem um merda?

 

O que há em comum entre estes países?

Todos foram eleitos democraticamente, à revelia da "inteligentsia" e das elites de grandes centros intelectualizados.

 

O noticiário americano irradia com robustez a condição da fraude na eleição

(eu, pessoalmente, acredito nesta tese)

mas eles tem a prova irrefutável daquilo que é ocidentalmente civilizado:

a escolha soberana do povo.

 

Assim, ainda que torça pro atual regime se foder no Irã (bem como na Venezuela) a tese de fraude soa uma desculpa golpista.

Se os caras que ganham a eleição não são aqueles que a classe média apóia, então não servem.

 

Sem contar com educação, o que fazer senão cair no golpe de lábia dos religiosos e dos populistas?

Aos iranianos, desejo boa sorte.

Aos venezuelanos, desejo que o Chavez se dane.

Quanto a nós, desejo que os próximos candidatos sejam melhor preparados.

(e mais dignos do cargo...)

 

+++

 

Essa questão da angústia da classe média intelectualizada não é coisa externa, apenas.

Vejamos a clara divisão socio-geográfica brasileira:

se de São Paulo ao Rio Grande do Sul o presidente Lula é uma autoridade questionável,

de Minas ao Amazonas o homem é "o cara".

 

Uma parte do país o apóia porque, de fato, sua administração trouxe melhorias.

A outra o execra, sob a alegação de que sua administração é falha, sua ética é sofrível e sua conduta é indigna do cargo que ocupa.

 

No entanto, é inegável que Lula é candidatíssimo ao posto de "grande presidente", talvez o maior da história do país.

Engolirá Getúlio Vargas nos livros de História?

Acho que já é assim.

Mais importante: nunca houve a menor suspeita de fraude nas eleições brasileiras.

Lula é legitimamente a escolha da maioria. 

 

Suas posturas, no entanto, parecem ser impressionantemente ignoradas, tamanho é seu carisma.

 

Suas atitudes populistas, suas relações nunca aprofundadas ou justificadas sobre o Mensalão,

sua defesa dos grileiros e ruralistas, sua fraca e tendenciosa atuação no campo da preservação da Natureza,

a ambígua relação com a compra de votos pelo Bolsa Família, sua atitude surpreendentemente afável a nomes

como Fidel Castro e Hugo Chavez, a devastadora dominação do fisiologismo de seu partido, a espúria relação com os nomes

mais retrógrados do peemedebismo safado -  tudo isso contrasta com o presidente que virou referência mundial, que

olhou carinhosamente para regiões menos priivilegiadas em outras administrações (principalmente o Nordeste),

sua política econômica forte o suficiente pra enfrentar a crise mundial de crédito na condição de credor do

Fundo Monetário Internacional, (engraçado como deste ângulo ele vira radicalmente neo-liberal), sua forte e 

bem-sucedida campanha contra a erradicação da fome nos países em desenvolvimento.

 

Altos e baixos, como todo mundo.

Como todo homem.

Só espero que os próximos candidatos a presidente sejam dignos do cargo que ocuparão.

Quanto a ele, que tenha uma digna aposentadoria.

E que não volte.

 

+++

 

A TV brasileira é bem clara quanto às distinções sociais.

Nas madrugadas, a TV aberta é invadida por salafrários e golpistas falando em nome do Bicho-Papão,

com igrejas evangélicas que se ploriferam como moscas em torno do cocô.

 

Na TV paga, os programas de sexo invadem a madrugada,

com closes ginecológicos que fazem corar o Maníaco do Parque.

 

É assim:

Aos pobres, a culpa e a esperança de um deus.

Aos abastados, a culpa e a esperança das vaginas oxigenadas.

 

O que o poder público faz com esta programação?

Nada.

Estão muito ocupados defendendo os ruralistas,

a devastação das riquezas naturais,

os lobbies pró-Copa do Mundo,

descobrindo novas formas de (prevaric)ação

em atos secretos ou na sacanagem deslavada.

 

Acreditar?

Votar?

Em quem?

Pra quê?

 

Vão me chamar de descrente.

Pode ser.

Mas diante do câncer generalizado que se transformou a classe política brasileira,

alguém se arrisca a colocar a mão no fogo por alguém?

 

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 02h31
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Outro Mothern

 

 




Escrito por impulso incontrolável às 01h47
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Pequenas Imbecilidades

 

Assistindo o jogo Brasil X Itália, no Genial, restaurante da Vila Madalena, ouço o seguinte comentário na mesa ao lado:

"Boa! A gente mostrou pra esses italianos o que é a raça brasileira!"

Entre os clientes, só brancos.

Entre os garçons, só mulatos.

 

+++

 

Nos Parlapatões, na praça Roosevelt, ouço dois atores:

"O teatro tá em crise de público, cara! Tô te falando. Ninguém sai de casa pra prestigiar nosso trabalho!"

"Vamos ver essa peça da meia-noite?"

"Só se rolar convite, senão a gente fica tomando uma breja"

 

+++

 

 

 

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 01h45
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Uma lembrança

 

 

 

do facebook do Rodrigo Lopez.

 

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 01h37
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Mais Flyers

 

Seguindo na coisa da propaganda de coisas bacanas, mais alguns flyers.

Nesta próxima segunda, dia 29, haverá show da Vanessa Bumagny no Tom Jazz, em Higienópolis.

Muita gente não conseguiu ver no SESC Pompéia.

Então prepare-se.

A voz e o som de Vanessa são incríveis.

E o show é imperdível.

 

 

+++

 

 

Na próxima quarta-feira começa um importante ciclo de leituras de textos franceses, dentro do ANO DA FRANÇA NO BRASIL.

O primeiro texto é de Michel Vinaver, "À Procura do Emprego".

É um dos textos mais bacanas e esquisitos que eu já li.

Estas leituras são uma oportunidade de ouro pra quem gosta de dramaturgia:

os franceses tem um jeito muito característico de contar histórias,

mas os autores selecionados são fora de série.

Vinaver propõe, por exemplo, a desconstrução da narrativa temporal

através da desconstrução dos diálogos.

Coisa que n ão se vê, nem se estuda na dramaturgia brasileira.

O evento é gratuito, no Centro Cultural Banco do Brasil, e começa às 19h30.

 

 

+++

 

MEDIANO reestréia neste sábado, à meia-noite, nos Parlapatões.

As sessões prometem ser concorridas, parece que a casa já está cheia.

A platéia dos Parlapatões é ainda menor que no SESC, são só 90 lugares.

Quem avisa...

 

 

Vai lá!




Escrito por impulso incontrolável às 11h56
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Os Flyers

 

Dizem que a propaganda é a alma do negócio.

Assim sendo, lá vai!

 

 

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 00h07
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A grande força

 

Faz um bom tempo que não escrevo no blog.

Faz falta.

Isso por conta do pouquíssimo tempo que tenho pra escrever, ultimamente.

Novidades? Muitas!

Estou ensaiando DORES DE AMORES, de Leo Lama, com direção do Naum Alves de Souza, ao lado da minha amada Melissa Vettore.

O texto do Leo Lama é uma delícia: ágil, surpreendente, e muito bem amarrado.

Estamos construindo uma narrativa de amor que foge à montagem de 89, onde a comédia era pastelão.

São muitas horas de ensaio pra dar conta de estrear no dia 09 de julho.

Mas o resultado tem sido fantástico.

 

+++

 

Malu de Bicicleta, longa do Flavio Tambelini baseado no livro do Marcelo Rubens Paiva, começa a ser rodado dia 13 de julho.

Ao menos a minha participação começa nessa data.

Pra quem leu o livro, o personagem é Cassio, melhor amigo e sócio do protagonista, o Luis, vivido pelo Marcelo Serrado.

Mais informações?

Não tenho.

 

+++

 

Tenho visto grandes peças, nestes dias.

"Dueto da Solidão", com duas peças do Sérgio Roveri, é de cortar os pulsos de tão boa.

Tem que ver.

"The Cachorro Manco Show", do Fabio Mendes, é um texto primoroso com um ator excepcional.

Tinha que ver.

(saiu de cartaz!)

"As Troianas", com direção do sempre bom Zé Henrique de Paula, é um primor.

Espetáculo lindo, instigante, emocionante, com uma coesão de elenco raríssima de se ver.

Imperdível.

 

+++

 

Estou lendo muita coisa boa.

Caiu nas minhas mãos um texto do Flavio Goldmann, "Os Passageiros".

Estou na metade, e amando.

Outro grande texto é "O Livro dos Monstros Sagrados", do Rafael Primot.

Texto vertiginoso, moderno.

Vou montar, junto com a Sandra Corveloni e a Patrícia Pichamone, em setembro.

Direç ão do Zé Henrique de Paula.

 

+++

 

Deixo aqui uma fotinho de divulgação de DORES DE AMORES.

 

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 11h03
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Mothern

 

Tem um clipe novo do Mothern no Youtube, daquele que é tido como o episódio mais bonito da série.

E no final dele, uma surpresinha...

 

 

 


 



Escrito por impulso incontrolável às 11h41
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Sérgio Roveri

 

Reproduzo aqui um dos textos mais belos e impressionantes que li, nos últimos tempos.

Sérgio Roveri, além da pessoa linda que é, vem a ser um dos grandes dramaturgos no nosso Tempo.

Um cara com olhar doce e visão aguçada.

Um grande cara.

Por que resolvi transpor este texto na íntegra, se era mais fácil colocar o link?

Simples:

pra ficar mais perto do coração.

Roveri, muito obrigado.

 

 

Assim é, se lhe parece

 

Eu olho para este espaço e sinto que estou fraquejando na minha determinação de escrever ao menos duas vezes por semana.
Gostaria de escrever mais, muito mais para ser sincero.
Às vezes, falta tempo; em outras, inspiração.
Costumo anotar ideias para desenvolver mais tarde aqui, tento guardar na cabeça alguns fatos do cotidiano, alguns pensamentos que passam correndo e eu tento aprisionar.
Não bastasse o compromisso com o blog, inventei de entrar no twitter também, mas praticamente já desisti.
Senti que tudo vai se transformando em um tipo de obrigação que eu não estou disposto a cumprir. Mais uma.
Volto ao blog quando, mais do que a necessidade de atualização, o que eu sinto mesmo é um prazer imenso em teclar uma coisinha ou outra.

Nos últimos dias, talvez por influência da peça que estreou na semana passada e daquela que estreia no dia 19 de junho, eu ando pensando muito em produção.
No ato de produzir, qualquer que seja o produto decorrente deste ato:
uma peça, uma matéria, um comentário neste blog, um jantar para os amigos, uma panela de molho de tomate para ser congelado e usado depois,
numa noite de fome e geladeira vazia; qualquer coisa a que podemos dar o nome de obra.
E resolvi falar sobre produção porque acho que finalmente compreendi algo muito bonito e, acima de tudo, muito libertador:
eu compreendi que as pessoas não precisam gostar do que eu faço para que eu possa me sentir bem e razoavelmente realizado.
Aprendi que é fundamental tirar das nossas costas o peso de agradar a todos ou ao menos a aflição de esperar pela aprovação alheia.

Não é algo fácil de aprender e acredito que eu nem tenha assimilado isso totalmente,
mas começar a trabalhar com esta idéia já torna o nosso caminhar muito mais leve e prazeroso.
Se aceitarmos que nem todos precisam gostar do nosso trabalho, não nos sentiremos tão injustiçados com as críticas e a indiferença que assombram a vida de qualquer criador.
E talvez venhamos a ter alguma noção de nossa real importância, do nosso real tamanho neste mundo.
Já disse aqui, no comentário anterior, que tive o prazer de entrevistar a fabulosa Fernanda Montenegro na semana passada.
Passei 40 minutos com ela, que aceitaria trocar facilmente por 40 semanas de dias mal vividos.
Na metade da entrevista, ao falar sobre Deus, ela disse algo mais ou menos assim:
“Deus, ah, Deus... Eu acredito que Deus tenha coisas muito mais sérias com o que se preocupar do que uma pecinha
que uma tal de Fernanda Montenegro está pensando em fazer num lugar chamado Brasil”.
Seguindo este raciocínio, se Deus tem pouco tempo para pensar na grandeza de uma Fernanda Montenegro,
é bem provável que ele tenha menos tempo ainda para pensar em quem não chegou tão longe.
Como eu e quase todos nós.
E ele não está sozinho nesta determinação.
Ao lado dele, há centenas, milhares de pessoas que talvez não estejam mesmo interessadas no que venhamos a fazer.
Ou por não gostarem daquilo que fazemos ou simplesmente por não terem interesse em tudo o que temos a dizer e a mostrar.
E como é bom que isso aconteça, como é (com perdão por repetir a palavra) libertador aceitar que nossa voz não precisa chegar aveludada a todos os ouvidos.
Como é bom, enfim, compreender sem mágoas que as pessoas, legitimamente preocupadas com suas vidas,
têm o direito inegável de voltar seus interesses e afeições para outra coisa que não sejamos nós.

Estou falando sobre isso para revelar, por fim, que hoje eu sinto menos pavor quando um trabalho meu começa a mostrar as caras.
Já disse aqui, também, o quanto as peças Ensaio Para um Adeus Inesperado e A Noite do Aquário são textos caros e doloridos em minha vida.
Eu olho para eles e sinto que eles sintetizam o que eu poderia fazer de melhor no momento e nas condições em que eles foram criados.
Em outra época, talvez eles saíssem mais refinados e sensíveis; em outras épocas, quem sabe, poderiam resultar menos sinceros também.
Então entendo que, no momento exato em que foram gerados, eles levaram de mim toda a potencialidade que eu tinha conseguido acumular na vida até aquele instante.
E, justamente por serem tão caros a mim, não posso colocar sobre as costas deles, os textos, a terrível obrigação de encantar a todos que um dia vierem a ter contato com eles.
Haverá, e espero que sejam muitos, os que sairão comovidos deste provável encontro, outros dirão que tudo pode não passar de uma grande bobagem.
E é exatamente nesta discordância e neste desequilíbrio que está toda a graça da vida, que está todo o desafio e a beleza de escrever.

Como tudo aquilo que se pretende belo, a exemplo do amor, da amizade e do afeto possível,
os textos (e outras coisas que por ventura viemos a produzir) também podem se revelar de uma fragilidade suprema.
E, por serem frágeis, por serem no fundo um amontoado de palavras dispostas com a intenção de produzir algum significado,
os textos podem desmoronar com a brisa leve que entra por uma fresta da janela que esquecemos aberta.
Entender e aceitar que estes textos vieram ao mundo é o máximo que eu posso esperar deles.
Ambicionar que todas as pessoas, todas as pessoas indistintamente gostem deles, é exigir demais.
Deles, de mim e das pessoas.
Só assim outras coisas nascerão, seja para o aplauso, seja para o dolorido silêncio.
E ainda bem que é assim.




Escrito por impulso incontrolável às 15h53
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Discos que caíram no esquecimento

 

Dê uma boa olhada nesta capa.

 

 

Não é simplesmente SENSACIONAL?

Não consegui encontrar nenhum arquivo na net pra ouvi-las.

Mas dá pra gente imaginar...

 

 



Escrito por impulso incontrolável às 15h42
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